27 Janeiro 2012

Hoje no Governo Sombra

 

Ouçam aqui:

 

Também podem fazer o Download do MP3.

publicado por Eduardo às 21:58

27 Janeiro 2012

Por mais que tentes, nunca vais encantar tanto quando eras a voz do Ary dos Santos e dizias de voz cheia:

"Ninguém nos leva ao engano, toureamos mano a mano, só nos podem causar dano de espera"

 

’TOURADA’


Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.
Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
de espera.
Entram guizos chocas e capotes e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes porque tudo o mais
são tretas.
Entram vacas depois dos forcados que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão não pega.
Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.
Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.
Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.
Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...
Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro aos milhões.
E diz o inteligente
que acabaram as canções.

Música: Fernando Tordo
Letra: Ary dos Santos 1973

publicado por Eduardo às 21:20
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27 Janeiro 2012

Index Librorum Prohibitorum

 

Triste é esta democracia que quando se manifesta é logo esmagada.

Triste é o meu país onde o cidadão luta com os punhos contra o poder corporativo

Triste é a justiça que não equilibra a balança entre o cidadão e a corporação

Triste é quem apregoa a liberdade enquanto marcha nas fileiras da censura

 

Triste também estou eu que começo a ter vergonha do meu querido Portugal.

publicado por Eduardo às 20:56

27 Janeiro 2012
 

David Bowie Bob Dylan Par de tomates

 

 

O poeta é um fingidor lembram-se? E o artista é um fingidor. Finge porque entre o sonho e a realidade existem por um lado as leis da física e por outro a presença ou não de um par de rojões avermelhados a que chamamos de tomates.

Se é certo que por enquanto o Major Tom só possa viver na imaginação do Bowie, já "talvez foder" seja algo bem mais acessível desde que se esteja devidamente equipado.

É que eu adoro música percebem? E é também por isso que me estou a borrifar para quem a faz. O que eu admiro é a arte. Ou como diriam os ingleses "the craftsmanship of making music". Não me interessa nada da vida pessoal deles. Do que pensam ou fazem, do que comem, bebem ou de como se borram. Venha daí um álbum póstumo do Bin Laden com uma boa linha de baixo e uma letra catita em árabe que eu sou o primeiro a comprar.
Não confundo a arte com o artista. It's all an act!

Mas se até o Robert Zimmerman se converteu ao catolicismo! Por pouco tempo, é certo, mas o álbum Slow Train Coming é a prova indelével. E sabem que mais? É um dos bons do Mr. "Dylan". Dylan, esse mesmo das posições políticas firmes, dos atos públicos e declarações polémicas.
Mas nem vale a pena desenrolar essa meada. A cada escavadela sairia a sua minhoca. Sim. Minhoca.

E é por isso que não vou atrás de autógrafos, não quero saber da vida social deles e muito menos de quais são as suas posições políticas. Mesmo que as letras estejam carregadas de afirmações e tomadas de posição mais ou menos extremadas. It's all an act!

É por isso que não leio entrevistas de artistas. Não me interessa saber o que pensa o Victor Wooten sobre a segurança social. Provavelmente sabe menos do tema do que eu e tem todo o ar de ter a inteligência mais na ponta dos dedos do que noutro lado.

Não é preciso um QI elevado para ser artista pois não? Não são precisos valores morais pois não? Basta o talento. E ali naquela listinha até há algum talento. Talento e fingimento já que rojões avermelhados escasseiam.
E estão no seu direito. Quem eu lamento são os que se deixaram inebriar pelo fingimento e confundiram a realidade com a poesia. Lamento a vossa inevitável desilusão. Ninguém consegue viver à altura do seu fingimento. O artista é fraco, de carne e osso e precisa comer. E se para comer tiver de parar de fingir por um momento, assim o fará. É certo e sabido.

Há exceções? Claro que sim. Ao que consta, o António Pinho Vargas, apesar de nortenho, deve ter uma costela (há quem lhe chame rojões) de africano. Mas hey! Não me iludo. E quase aposto que não tarda uma semana até ser desfeito o fingimento.

Ah! Só mais uma coisa: não me vejam como um cínico ou como um realista.
Sou simplesmente um amante da minha prima: a dona música.

publicado por Eduardo às 15:13

19 Janeiro 2012

 

Oh meus amigos (usar o sotaque do diácono Remédios), não havia mesmo necessidade.

Então a presidente da AGECOP que por sinal se chama SPA decidiu defender-se usando a velha técnica da teoria da conspiração? Estão todos em contra-mão menos a SPA?

 

Eis a "orquestra" de que fala a SPA

 

Laptop Orchestra

 

Imagem adaptada de um concerto da Laptop Orchestra. Quanto custará em taxa da #pl118 cada performance?

 

Enquanto isso, num recanto escuro da Av. Duque de Loulé... Alguém vive numa realidade distorcida.

 

Brain Machine

 

Haja paciência e decência já agora. E decoro também ajudava.

 

publicado por Eduardo às 22:13

09 Janeiro 2012

No to DRM

 

Têm sido inúmeras as reações à Proposta-Lei 118/XII nos últimos dias. Quer no twitter, quer nos blogs, muito já foi dito e com doses maiores ou menores de humor ou catastrofismo. Desde teorias da conspiração até à piada instantânea, a generalidade dos comentários incide sobre o verdadeiro imposto que nos querem cobrar disfarçado de taxa sobre os equipamentos e dispositivos de gravação.

 

Hoje e ao seguir a timeline da hashtag #pl118 dei com mais um artigo intitulado "Cópia Digital - alguns mitos, algumas verdades" que procura esclarecer a génese da proposta do PS fazendo o seu enquadramento legal. Fiquei desiludido com o que li. Não pela linguagem mais densa ou "legalista" que usa, mas sobretudo por cair no mesmo erro da proposta do PS, i.e. desconhecimento da realidade da internet e do mundo das tecnologias de informação em 2012.

 

Sublinhado a negrito, lê-se

 

"Uma pessoa compra músicas pela internet. Pretende fazer cópias. Paga para isso. Pretende guardar a cópia que comprou num disco rígido. Paga uma taxa sobre esse disco rígido para colocar lá uma obra pela qual já pagou. Ou seja, neste caso, não faria qualquer sentido uma compensação equitativa pois ela já foi feita, directamente, através de DRM."

 

e continua...

 

"É verdade que pode contra-argumentar-se que as medidas de gestão digital de direitos estão ainda pouco difundidas e têm limitações técnicas. Mas a isso oponho 2 argumentos:

 

1. Melhor seria, da parte de um partido progressista, apresentar um projecto que fomentasse a divulgação e utilização das DRM; e, sobretudo,
2. Melhor seria que, não obstante haver ainda riscos e falhas na DRM, esse risco não fosse, legalmente, posto do lado do consumidor."

 

Encontro vários problemas com esta abordagem.

 

Em primeiro lugar, pela incongruência de se usar DRM quando se fala do direito à cópia privada. Na prática, o direito à cópia privada pode bem ser descrito pelo cenário em que uma música comprada online ou não, é copiada para outro dispositivo por forma a usufruir do direito à sua audição sem restrição de meio, por exemplo, no carro ou no telemóvel. Ora, o uso do DRM é quase sempre limitativo deste direito. Exemplo disso foi a moda infeliz dos CDs audio com DRM que procuravam limitar a cópia dos ficheiros chegando ao absurdo de impedir a sua audição em leitores de CD de computadores.

Outro exemplo era o DRM usado na maior loja online de música, a iTunes Store cujo formato de DRM obrigava o comprador a utilizar dispositivos da Apple para ouvir a música adquirida.

 

Em segundo lugar, porque as lojas que antes recorriam ao DRM como forma de limitar a pirataria, rapidamente compreenderam que o DRM apenas prejudicava o seu negócio pelo que cedo arrepiaram caminho.

Recordo as palavras de Steve Jobs em 2007 (a tradução é minha) "A Apple adotaria o fim do DRM imediatamente assim que as quatro maiores editoras licenciassem a música dessa forma... Porque os vários sistemas de DRM não funcionaram e podem nunca vir a funcionar como forma de combater a pirataria da música". A Apple abandonou o uso do DRM desde a Macworld em Janeiro de 2009. Há 3 anos portanto.

O modelo de acesso à música tem vindo a mudar. A compra de música está progressivamente a ser substituída pela compra do direito a ouvir música. Veja-se o exemplo do Spotify.

 

Em 2012 estar a sugerir que o projeto-lei do PS devia fomentar o uso do DRM é pois um contrasenso e pior do que tudo, um anacronismo.

 

publicado por Eduardo às 21:44

09 Janeiro 2012

O @agranado esteve hoje na Antena 1 a explicar a #pl118.

 

Ouçam aqui:

 

Também podem fazer o Download do MP3.

publicado por Eduardo às 09:57

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